Esta é a imprensa de que sempre lhes falo (2)

Política
A arquitetura do Jornal Nacional para eleger Aécio
Luiz Carlos Azenha – Vi o Mundo

postado em: 10/10/2014

(*) Publicado originalmente no Vi o Mundo.

E a tão falada “vantagem numérica” de Aécio Neves sobre Dilma Rousseff, segundo o Jornal Nacional — que trombeteou assim o resultado — se resume a dois míseros pontos percentuais, dentro da margem de erro.

No Datafolha, em votos válidos, 51% a 49%. No Ibope, 51% a 49%.

Já a soma dos que consideram o governo Dilma ótimo, bom ou regular, é de 72% no Ibope e de 77% no Datafolha.

Jamais se esqueçam: o Ibope foi aquele que, no dia do primeiro turno de 2014, em pesquisa de boca-de-urna no Rio Grande do Sul, disse que Tarso Genro (PT) teria 35% a 29% dos votos válidos contra Ivo Sartori (PMDB); Sartori teve 40%, Genro 33%.

Datafolha é aquele que, em pesquisa de boca-de-urna, disse que Fernando Henrique Cardoso seria eleito prefeito de São Paulo, derrotando Jânio Quadros… que venceu (clique aqui para ler).

Agora temos explicação para as duas pesquisas divulgadas anteriormente às do Ibope e do Datafolha, do Instituto Paraná e do Instituto Véritas, trombeteadas pelo site 247.

Na pesquisa do Instituto Paraná, dirigido por uma pessoa que está na lista de possíveis nomeados para compor o futuro secretariado do governador Beto Richa, do PSDB, Aécio tinha 54% a 46%. A pesquisa foi divulgada com grande alarde pelo site da revista Época… adivinharam, das Organizações Globo!

Já a “pesquisa” do Instituto Véritas, alardeada pelo site 247, dava Aécio com 54,8% contra 45,2% de Dilma.

Pesquisas encomendadas para dar a impressão de que Aécio tinha uma vantagem insuperável? Quem sabe? Quem pagou para fazê-las? Quem pagou para disseminá-las? Só o tempo dirá.

Chamou a atenção, quinta-feira, a paginação do Jornal Nacional, ou seja, a sequência das notícias determinadas pelos editores.

Para quem não tem intimidade com televisão, os telejornais seguem o que é chamado, no jargão dos telejornalistas, de “espelho”.

O espelho, ou seja, a sequência de notícias, é determinada pelos chefes. Por gente graúda. Eles é que escolhem a notícia supostamente “mais importante” do dia.

Eles é que determinam o que virá primeiro, no momento de maior audiência do telejornal.

Eles é que determinam o que será falado com destaque, naquele pingue-pongue entre os apresentadores, na abertura do telejornal: as manchetes ditas com grande ênfase pelo William Bonner e a Patrícia Poeta.

Pois bem, como começou o Jornal Nacional de quinta?

Abertura acusando sem provas três partidos de terem recebido propina em esquema montado na Petrobras: PT, PP e PMDB, com direito a sílabas vagarosamente pronunciadas por William Bonner.

Em seguida, as pesquisas registrando “vantagem numérica” de Aécio Neves.

Depois, 10 minutos e 8 segundos dedicados à denúncia de véspera de eleição.

Independentemente das denúncias serem verdadeiras ou falsas — qualquer pessoa pode dizer o que bem entender ao Ministério Público Federal –, os depoimentos “coincidentemente” foram marcados para esta quarta-feira e as gravações vazaram… para o Jornal Nacional de quinta, data do início da propaganda eleitoral do segundo turno na TV.

Como me disse um advogado esta tarde, é a desmoralização da “delação premiada”, usada para fins eleitorais.

Coincidência destas a gente só viu… em 2006.

Então, as fotos do dinheiro supostamente usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato José Serra, do PSDB — fotos feitas dias antes — “coincidentemente” vazaram para os jornais e as emissoras de TV na antevéspera do primeiro turno.

Naquela ocasião, ajudaram a levar a eleição para o segundo turno.

Naquela ocasião, o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno assumiu o vazamento das fotos para os repórteres.

Sem saber, ele foi gravado por um dos repórteres no momento em que fazia o vazamento.

Nunca ficou esclarecido porque, a certa altura da gravação, o delegado disse: “Esta aqui é a foto da Globo”.

Ele fez uma foto para sair na Globo? Uma foto especial para o Jornal Nacional? Uma foto impressionante, com uma parede de dinheiro?

Tipo a que aparece abaixo?

As fotos, diga-se, foram feitas durante uma perícia oficial!

Será que o delegado Bruno montou uma parede cenográfica de dinheiro para sair na Globo? Ou foram os peritos e ele apenas tirou proveito da ocasião?

Desta vez, curiosamente, o resultado das pesquisas e a longa reportagem sobre as denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef foram seguidas… pela propaganda eleitoral do PT.

O Jornal Nacional sabia, com certeza, que logo depois da longa denúncia, viria a propaganda de Dilma.

Sabe o que separou a denúncia da Petrobras da propaganda eleitoral do PT?

Uma notícia sobre um campeonato de vôlei e um anúncio do programa global The Voice.

Como se vê, foi tudo muito bem arquitetado no Jardim Botânico.

Ah, sim, a pesquisa propagandeada pelo 247 (Aécio 54% x Dilma 46%), que saiu primeiro no site da revista Época, das Organizações Globo, foi reproduzida no programa eleitoral de Aécio Neves.

Outra coincidência.

Entenderam?

PS do Viomundo: No ótimo programa de Dilma Rousseff, Fernando Henrique Cardoso foi justamente detonado por dizer que os 40 e tantos milhões de eleitores da petista são ignorantes!

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