As flores são muito vaidosas

Depois que eu ouvi “Raízes”, do Renato Teixeira, e compartilhei com vocês, desejando um bom domingo, eu passei pela sala, e olhei pra uma jarra com flores, que eu tinha colocado em cima de um móvel, semana passada.
Vocês gostaram da música? Eu adoro essa música. Pra mim, é uma das mais bonitas do Renato Teixeira, que eu adoro também.
Voltando à jarra. Olhei pra ela e, como as flores envelheceram, estavam murchas e feias.
Aí, eu me lembrei de um livro que eu li.
O Arroz de Palma.
Eu gosto mais de escrever, do que de ler.
Mas eu sempre estou lendo um livro. Um de cada vez.
Só não gosto de livro muito grande.
Não tenho paciência não. Por isso, eu nunca gostei de novela. Trem rendido, né não?
Prefiro os filmes. Começa e termina logo.
Mas este livro foi, sem dúvida, o livro que eu mais gostei até hoje.
Lindo!
E fiquei triste quando terminei de ler.
O autor, é um dramaturgo. Francisco Azevedo. Foi o primeiro livro dele.
Eu nunca li um livro que me tocasse tanto. Nunca tinha lido nada, de tanta delicadeza, tanta sutileza, tanta sensibilidade.
Eu não sou de amontoar livro não. Leio, passo pra frente. Às vezes até “esqueço” alguns em hotéis e avião.
Mas este não. No verso da primeira página, eu escrevi meu nome e a data em que eu li. Entreguei nas mãos da Luana. Pedi à ela que lesse, escrevesse o nome dela abaixo do meu, colocasse a data, passasse pros meus netos, que eles fizessem o mesmo, os meus netos pros filhos deles, e assim, o livro vai se perpetuar na nossa família, como o arroz de Palma.
Quem já leu o livro, está me entendendo. Quem ainda for ler, vai me entender.
Sugiro que vocês leiam.
Quando eu terminei de ler O Arroz de Palma, eu pensei: …caraca, mas todo mundo tinha que ter tido uma tia Palma, nesta vida…
Como eu queria ter convivido com ela!!!
Numa das conversas da tia Palma com alguém, não vou ficar contando o livro aqui, ela disse que as flores são muito vaidosas. Elas não gostam de ficar em jarras, todas feias e murchas. Se estão assim, é melhor trocá-las por outras.
E deve ser mesmo.
Se elas estão ali, pra enfeitar sua casa, que enfeitem de verdade, né não?
Tia Palma era uma sábia!
E hoje, eu passei pela tal jarra, lááá do começo da nossa conversa, achei as flores feias e murchas, então falei pra elas. Em voz alta mesmo. Eu costumo conversar com as flores. Só não sei se elas me entendem…

– Tia Palma me disse, que vocês são muito vaidosas. Não gostam de ficar nem murchas, nem feias. Então, vem cá, vou substituir vocês, porque eu acho que a tia Palma sempre tinha razão…

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“Primeiro romance a tratar da imigração portuguesa para o Brasil no século XX, este livro narra a saga de uma família em busca de um futuro melhor, superando todas as dificuldades. Nos cem anos em que acompanhamos a vida desta família, irmãos brigam e fazem as pazes. Uns casam e são felizes, outros se separam. Os filhos ora preocupam, ora dão satisfação. Tudo sempre acompanhado pelo arroz jogado no casamento dos patriarcas da família, em 1908, e que serve de fio condutor a esta história. Livro estréia do roteirista e dramaturgo Francisco Azevedo, autor das peças Unha e carne e A casa de Anais Nin, sucessos de público e crítica.”

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