Pão bento com salame!

Rosana era uma capeta!
Mas uma capeta adorável!
Meus pais adoravam Rosana!
Foi a minha melhor amiga durante toda a minha infância e adolescência.
Depois, nos casamos, e cada uma tomou seu rumo…
Que pena! Sinto falta dela!

Rosana era uma menina muito rica. Sua família é uma família tradicional do Paraná.
Mas eram de uma simplicidade enorme.
Odiava estudar. Matava aula, puxava o véu das freiras, entrava no local mais secreto do colégio, a clausura, pra saber o quê que tinha lá, que a gente não podia ver, fazia de tudo na escola. Menos estudar.
Na tentativa de botar a menina na linha, Rosana foi esbarrar num colégio famoso da Suiça. Eu chorei uma semana sem parar. Por lá, ela ficou mais de um ano. Veio passar férias aqui, bateu o pé, e nunca mais voltou. Parou de estudar.
Chegou da Suiça e me disse:
– sabe Lica? Lá nesse colégio onde eu estava, a gente estudava história visitando todos os países. E sabe o quê que eu descobri? Que Jesus não tinha nada de santo. Ele era mesmo um REVOLUCIONÁRIO…
Ê Rosana…

Como a gente não tinha muito o quê fazer no Lago Sul, nossa principal diversão era invadir a sacristia da igreja, a cozinha da casa do padre e atacar a geladeira…
Nosso colégio, existe até hoje, só que beeem maior. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Ficava perto das nossas casas. A gente ia e voltava a pé. Ele ficava mais próximo do Lago Paranoá. Mais acima, perto da via principal do Lago Sul, ficava a igreja do mesmo nome. Era de madeira, pintadinha de azul. Hoje, ela está lá, no mesmo lugar. Só que grande, austera.
Então, nós duas fazíamos assim:
Saíamos da aula lá pelo meio dia, mooortas de fome, e subíamos até a casa do padre.
Ela ia na frente e eu atrás.
Primeiro a gente assaltava a igreja.
Enquanto ela ia até à sacristia, eu fica vigiando na porta da igreja.
Na sacristia, Rosana enchia os bolsos com as hóstias do padre… Se elas estavam ou não consagradas, eu não sei. Nunca entrei na tal da sacristia. Essa tarefa sempre foi dela. A minha era vigiar…
Depois que ela tinha feito “o serviço”, a gente partia pra cozinha da casa do padre.
Pé ante pé, a gente invadia a cozinha. Aí, íamos nós duas juntas, porque o salame, que ficava dentro da geladeira, era aquele salamão… Enorme! Como não dava tempo de procurar faca pra cortar, as duas enfiavam a boca mesmo no tal do salamão… Tirávamos aqueles “tascos” enormes, e metia tudo dentro dos bolsos e das pastas. Não existia mochila, era pasta.
Depois de tudo devidamente “roubado” e guardado, a gente saía às gargalhadas. Sentávamos no meio fio e íamos degustar o salame e o “pão bento” do padre….
Era uma diversão e tanto…

Fizemos isso anos a fio. O padre? Jamais imaginou que éramos nós duas que pegávamos as hóstias da sacristia, e comíamos o salame da geladeira…
Se sabia… Ele nunca nos contou…

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3 opiniões sobre “Pão bento com salame!

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