Minha tia tinha um coração do tamanho de um hipopótamo…

Eu nasci em casa.
É o que hoje se chama de “parto humanizado”.
Helena também nasceu em casa. Dentro do meu quarto. Luana fez “parto humanizado”. Foi lindo!
A diferença é que na época da minha mãe, era só mesmo a parturiente e a parteira.
Hoje existe uma estrutura maior, que eu acho legal, porque dá mais segurança aos papais e às famílias deles.
Eu me chamo Liliana, porque era o nome da parteira da minha mãe.
Ainda bem… Eu ia me chamar Izabel Cristina, personagem da novela ” O Direito de nascer”.
Aí, como diz meu genro, ia dar bom não… Izabel Cristina é que nem Cristiano Ronaldo. Ou bem que é um, ou bem que é outro, né não?
-Valeu aí, viu Liliana?
Assim que Liliana cortou o cordão que me ligava à minha mãe, minha tia, irmã da minha mãe, me pegou nas mãos, e me ergueu rumo ao céu! Agradeceu pela minha chegada e me desejou vida longa e feliz!
Assim mamãe e ela me contaram.
Foi uma linda recepção, não foi não?
Essa minha tia era de uma braveza e de um “bom humor”, tipo o Seu Lunga:
– traz água pra mim!
– no copo?
– não!!! Joga no chão, e puxa com o rodo….
Os filhos e os sobrinhos pelavam de medo dela.
Mas eu adorava essa minha tia. Comigo ela não era brava não. Me chamava de “minha angolinha”, por conta do meu tamanho.
Minha mãe sempre me dizia, que eu parecia ser mais filha da minha tia, do que dela.
Vai ver que é por isto que a gente se dava tão bem.
Nos meus primeiros anos de Brasília, eu ia todas as férias, com a minha irmã, pra Belo Horizonte, de onde eu vim pra cá.
Ficava sempre na casa dela.
Numa das vezes, ela estava sem empregada porque, “ninguém tá sabendo fazer nada que presta…”
Ela costurava dia e noite. Amava o que fazia e tinha talento. Costurava super bem.
Aí, eu disse pra ela no dia em que cheguei:
– tia, enquanto eu estiver aqui, a senhora não precisa de preocupar com a casa. Eu arrumo pra senhora todas as manhãs. Só me mostra onde estão as coisas.
– ah é? Que bom! Então tá aqui a vassoura, o rodo, o balde, o pano de chão, e esse paninho. Mas num quero serviço porco não, viu?
– mas a senhora não tem um espanador?
– espanador pra quê, menina?
– uai! Pra eu tirar a poeira!
– tirar poeira com espanador? Sua mãe não te ensinou como se tira poeira de móvel não, é? Espanador, o próprio nome já diz, né? Espana… Sai a poeira de um canto, e pousa no outro. É com esse paninho. MO-LHA-DO, viu?

Até hoje, eu só tiro poeira da minha casa, com o paninho molhado. Espanador, nunca entrou por aqui…

Quando eu fiquei grávida do Rafael, ela me ligou.
– vem cá, menina! Eu tenho que ver essa “angolinha” carregando um bebê na barriga, meu Deus! E vai caber???

Eu fui. Ela fez um hipopótamo enooorme pro Rafael brincar. Ele mesmo não teve tempo de brincar com o tal hipopótamo, mas Luana e Marília brincaram muito, trepadas em cima do bicho.

E quando Rafael nos deixou foi ela quem veio. Me socorrer.
Me deitava no colo dela, ficava hoooras fazendo cafuné na minha cabeça, até que eu adormecia.
De vez em quando eu sentia uma “aguinha” cair em cima do meu cabelo…
Ficou comigo um bom tempo. Até ela sentir que eu estava mais forte…
Eu adorava essa minha tia…
Ela era brava, mal humorada, mas tinha um coração do tamanho do hipopótamo que ela fez pro Rafael!!!

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