Por quem eu torço

Não sou cientista nem analista política e, portanto, não quero aqui fazer análise política do estreitamento das relações dos Estados Unidos e Cuba.
Aliás, nem “sacramentado”está…
Como disse a tia de uma amiga minha, “velha de guerra”, “há que se ter paciência histórica”. Verdade!
Qual a razão que levou o Obama a tomar essa decisão, eu não sei.
Estados Unidos não dão ponto sem nó…
Mas isso eu deixo pro analistas e cientistas políticos. Não é a minha praia…

Aqui eu quero falar da gente humilde, alegre, gentil, que conheci em Cuba.

A minha decisão de conhecer Cuba há uns quatros anos, foi porque queria ver de perto, como vivia uma sociedade privada do convívio com o mundo capitalista, sem o direito de ir e vir, vivendo com o essencial.
Eu, assim como o mundo todo, sabia que a abertura ia acontecer em breve, era inevitável, e eu tinha que ir correndo, pra conhecer “esse modo de vida”, tão diferente do meu, e dos países que eu já tinha visitado.

A Cuba da miséria, da prostituição, da falta de alimentos, da “única marca” de sabonete e pasta de dente nas prateleiras dos mercados, do povo triste e infeliz, essa eu já conhecia pela imprensa do meu país.
Essa era, pra mim, a Cuba “do papel”.
Agora, eu queria conhecer a Cuba feita de terra, mar, “carne e osso”…

Me deparei, assim que cheguei, como em quase toda entrada nas nossas cidades, com uma Cuba feia. A Cuba da periferia de Havana.
No caminho do aeroporto até o hotel, eu vi casas velhas, a pintura desbotada, carros antigos, e muitos, muitos retratos do Che Guevara… Aliás, pelo país inteiro foi assim…
As casas e os carros velhos não me causaram surpresa, eu já esperava por eles. Mas os muitos e muitos e muitos retratos do Che, sim. Eu espera por retratos do Fidel Castro… Isso me chamou muito a atenção…
Não vi mendigos e nem vi sujeira nas ruas, que não eram esburacadas.
Essa foi minha segunda surpresa.

O hotel onde fiquei em Havana, o Hotel Nacional, é simplesmente lindo! Uma arquitetura belíssima, os quartos grandes e super bem mobiliados e tudo muito bem cuidado.
Café da manhã farto, e restaurante com cozinha internacional.
Minha terceira surpresa.

Ao andar pela cidade, vi uma Havana inteira sendo restaurada. Restaurada, e não reformada.
Alguns quarteirões que tinham sido restaurados, estavam lindos.
Os quarteirões com suas praças, me lembraram muito as cidades européias.
Tinha muito ainda por se restaurar!
Mas muita coisa já estava pronta.
Quarta surpresa.

A abertura já tinha começado a dar seus sinais, e no comércio já se via os sinais dela.
O celular já começava a entrar por lá, embora nem todos ainda tivessem tido acesso a ele.
Outra surpresa. Pensava que a abertura ainda não tivesse começado…

A cada metro andado, um museu.
Todos muito bonitos e muito bem cuidados.
Muita, muita história.
Não só sobre Cuba, mas sobre toda a América Latina.
Foram dias de muito aprendizado…
Grata surpresa!

Além de Havana, que é uma cidade muito bonita, viajei pelo interior. Conversei muito com o povo cubano. Gosto muito de conversar com os “nativos” dos países pra onde vou. Em Cuba minha curiosidade era maior…

Não conheci o povo triste e infeliz do “papel” que conheci por aqui.
Conheci um povo alegre, cantante, de roupas coloridas, amantes do nosso Brasil!
Que surpresa!!!

Conheci um povo esperançoso de um dia poder ter acesso às “maravilhas” do mundo capitalista, como a bolsa que eu estava usando.
Dei uma de presente à uma cubana…
Conheci uma gente sonhadora. Gente como a gente… Como terminaria a novela brasileira que por lá estava passando? Isso fiquei devendo ao povo cubano…
Uma gente curiosa. Como era a vida por aqui? Como era nossa escola? Como vivam os mais pobres? Nossa medicina era cara, como diziam os estrangeiros que passavam por lá? Existia por aqui, alguém que fizesse o serviço de nossas casas, enquanto os “patrões” iam trabalhar, ou passear? Quanto eles ganhavam? Como viviam os mais ricos?
Muitas, muitas perguntas sobre o “mundo capitalista”, eu ouvi da gente simples, alegre e curiosa que encontrei em Cuba.

Conheci em Cuba, uma população politizada, estudada e muito, muito educada e gentil.
Não vi um mendigo na rua, um pedinte, ninguém dormindo debaixo de caixa de papelão. Não vi miséria em Cuba. E nem vi as prostitutas… Devem existir, mas nada diferente do mundo em que vivo.

O que eu vi em Cuba foi uma gente esperançosa de um dia ter o direito de rever seus entes queridos, de ter o direito de ir e vir, e de desfrutar das “maravilhas” do mundo capitalista.
Mas que não quer, em troca disso, perder o direito ao acesso a um ensino de qualidade gratuita, aos serviços médicos e remédios gratuitos, que minha filha utilizou a custo zero, quando estivemos por lá.

É por este povo, é por esta gente alegre, gentil, esperançosa, que eu torço nesse momento.
É por eles que eu estou feliz!
Feliz e esperançosa que se essa reaproximação com o “lado de cá”, se concretize.

O povo de Cuba merece conhecer e desfrutar do que de “maravilhoso” existe do lado de cá.
Mas sem nunca perder o que há de “maravilhoso” do lado de lá!!!

Anúncios

Uma opinião sobre “Por quem eu torço

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s