Vida doida…

Eu hoje fui ao mercado com Helena.
Helena tá muito danada!
Tá muito serelepe e muuuuito independente.
Pensem aí o quê é uma criança de 1 ano de 7 meses, e a criatura pensa que é adulta…
Quer fazer tudo sozinha.
Entro no mercado com Helena, pego um carrinho e começo a fazer minhas compras.
Helena resolve que é ela quem vai empurrar o carrinho.
Enquanto o carrinho estava vazio, be le za!!!
Carrinho cheio, Helena não dava conta de empurrar o danado.
Pego outro carrinho pra Helena “dirigir”.
Helena pegava as coisas na prateleira, punha dentro do carrinho e lá vamos nós, mercado afora.
Entro na fila. Helena resolve correr dentro do mercado, e eu atrás.
Carrinho na fila, Helena correndo, e eu atrás.
Um sofoco danado.
Até que apareceu uma alma bondosa e resolveu me colocar na fila de prioridade.
Atrás de mim entrou uma mocinha. Faladeeeira que nem a vovó da Helena, e que nem a própria Helena…

– você é o quê dela?
– avó materna.
– ela é uma gracinha, heim? Eu estava o tempo todo olhando vocês duas e fiquei impressionada como ela tem uma coordenação motora boa, fala tudo e é muito esperta…
– ela tá é muito danada, isso sim… Eu tô é cansada de correr atrás dela…
– eu também tenho um filhinho. De oito anos. Ele é autista. Eu nem trago mais ao mercado, porque ele não suporta esperar nada. Se tem uma fila, ele fica muito irritado e me morde. Olha só aqui. Isso é uma mordida dele…
– eu acho que eu sou meio autista, porque eu detesto esperar…

Com os olhinhos cheio de lágrimas, ela me disse assim:

– ah! Como eu queria que ele tivesse uma vovó pra sair com ele… Eu não faço mais nada, porque é complicado demais sair com ele. Só posso sair de dia, quando minha secretária está na minha casa. Eu sou separada e não tenho mãe…

Eu vim pra casa tão triste, mas tão triste…
Uma mocinha tão novinha, um filhinho autista, e sem uma vovó pra dar uma forcinha???
Dá um dó danado, não dá não?
Vida doida……..

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Uma opinião sobre “Vida doida…

  1. Gosto muito do seu modo despojado de escrever, de se expressar. Parece que estou vendo sua avó materna, Tia Licinha falando, me oferecendo café, servido nas canecas esmaltadas com florzinhas vermelhas e folhas azuis; e tudo isso era acompanhado de um bom papo de tia-avó e biscoitos de goma daqueles bem torradinhos. Eu, naquela época tinha as duas avós e várias tias-avós que mais pareciam avós, de tão “gostosuras” que eram. Fiquei saudoso com sua bela crônica, mas ela me fez muito bem. Beijão Liliana!

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