Minha irmã é um pouquinho minha mãe!

Em tempos de compra de material escolar pros meninos, uniforme pra primeira escolinha da Helena, eu me lembrei dos meus tempos de colégio.

Minha irmã sempre me diz que ela se sente um pouquinho minha mãe…

Minha irmã é a mais velha dos quatro filhos do meu pai e da minha mãe.
Nós duas somos muito parecidas em muitas coisas, mas no temperamento somos bem diferentes.
Eu não sou muito disciplinada, e levo a vida meio que na “maciota”, como dizia minha mãe. Se não dá de um jeito, dá de outro…
Tem um ditado que eu sempre me lembro dele, quando olho pra mim mesma e pra minha vida. “Deus dá o frio, conforme o cobertor”. Talvez, se eu não tivesse o temperamento que eu tenho, e não levasse a vida “meio na maciota”, eu não teria “dado conta”, como dizia meu pai, de ter chegado até aqui…

Eu já dei um pouquinho de trabalho pra minha irmã…

Quando a gente estudava no Santa Marcelina a gente ia de ônibus pro colégio.
Zoológico era o nome da linha do ônibus. E ele tinha os horários certos pra passar.
O uniforme do colégio era assim: uma veste cinza, uma blusa branca por dentro, um cinto marrom, meias brancas, sapatos marrons, BOINA marrom, lancheira e pasta de couro pesaaaada marrons. Era coisa…
Quando a gente chegava no colégio, trocava tudo. Um aventalzinho xadrez de azul e branco e uma sapatilha com solado de corda, pra não fazer barulho… Tirava a boina.
Quem tivesse cabelo comprido, tinha que ir de coque. O da minha irmã não saía um fiozinho de cabelo pra fora. Desse eu ficava livre, ou a minha irmã, porque meu cabelo era cortado Joãozinho…

-Liliana! Vai tomar seu banho, pelamordedeus!
-Liliana! Já almoçou?
-Liliana! Cadê sua lancheira?
-Liliana! Cadê seu cinto?
-Liliana! Cadê sua BOINA?
-Mãeeee! Cadê essa bendita boina da Liliana, mãe? O ônibus vai passar e a gente vai perder! Ô meu Deus! Todo dia é isso, Liliana!!!

Era um “pandemônio”. Eu nunca sabia onde estava a bendita da boina… Aliás, não sabia de nada mesmo…

Na volta, era outro sufoco.
O ônibus passava em frente ao colégio. A rua era cheia de arbustos.
O quê que eu fazia pra atazanar a vida da minha irmã.
Quando eu via o ônibus apontar lááá na frente, eu me escondia debaixo dos arbustos.
– Liliana? O ônibus!
– Liliana? Cadê você, menina?
– Ah não! Todo dia é isso, Liliana!!!

E era uma correria danada; se perdíamos aquele ônibus, tínhamos que esperar o próximo que demorava.
Não me lembro direito, mas acho que chegamos a perder alguns…
Minha irmã deve lembrar…

Tadinha da minha irmã…
Mas também, vem cá.
Pra quê que um colégio tem que meter numa criança de seis anos: veste, blusinha, cinto, sapato, meia, lancheira, pasta e BOINA!!!

Acho que é por conta desse meu jeito de ser “pouco disciplinada e levar a vida na maciota”, que até hoje minha irmã me diz que se sente um pouquinho minha mãe….

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