Não basta a liturgia. É preciso vivê-la no dia a dia…

Eu ontem me aventurei na cozinha.
De repente me deu uma vontade danada de comer waffle. É bom, né não? Eu acho!
Procurei na internet a receita, e fiz. Ficou muuuito bom.
Tô eu lá comendo meu waffle com geleia de mirtilo, e me lembrei de uma história.

Lá por volta dos meus 14 anos, existia aqui em Brasília, uma lanchonete da Kibon. Quem morava aqui em Brasília nessa época vai se lembrar.
Era o “programa” dos finais de tarde dos domingos preferido de nove entre dez adolescentes.
Nessa época, eu tinha uma turminha muito legal! Eram uns 10 e moravam perto da tal lanchonete.
Todo domingo à tarde, lá íamos nós pro nosso programinha preferido.

Dentre esses meus coleguinhas, tinha um que era o “riquinho” da “tchurma”.
Ele era muito bonzinho. Estudiooooso que só ele! Queria seguir a profissão do pai. Médico. E metia a cara nos livros. Todo ano, no meio do segundo semestre, o garoto já tinha passado de ano. E a família era muito religiosa. Ele só podia ir pra lanchonente, depois de ir à missa. Católicos, apostólicos, romanos… Essa observação faz todo o sentido. Vocês vão ver o porquê.
A irmã dele até que era boazinha também. Mas a mããããeee!!! Jesus!!!
O pai, sei não! Só via de longe, dentro de um carrão, que eu não sei o nome. Só me lembro que era grande!!!

Nós, os da ralé, lanchávamos sempre um sanduíche com coca. E depois um sovertinho na casquinha.
O moço estudioso sempre comia um WAFFLE com Milk Shake. Era beeem mais caro que nosso sanduiche com coca.
Mas ele tinha mesada… Nós não.

Sempre rolou um “climazinho” entre esse rapazinho e eu. E tinha uma torcida danada pra gente namorar. Até da irmã dele. Namorar naquela época, pelo menos pra nossa turma, era só mesmo ficar de mãos dadas no cinema…
Mas, apesar da torcida e do “clima favorável”, o tal do namoro nunca rolava…
Era muito engraçado… E curioso…

O tempo passou, nossa tchurminha se desfez, cada um pro seu canto.
Um belo dia, depois de uns bons anos, recebo um telefonema desse rapaz.

– Liliana, eu preciso muito falar com você! Você pode ir hoje de tarde se encontrar comigo em frente à igrejinha?
– Falar comigo? Uai, posso!!!

E lá fui eu.
Sentamos num banquinho, e ele me disse o seguinte:

– Eu preciso te pedir desculpas.
– Hã??? Desculpas por quê, menino? Você nunca me fez nada!!!
– Fiz sim. Eu queria que você soubesse que eu nunca pude namorar com você, porque minha mãe não deixava. Ela achava que você não era tão rica quanto eu…E eu tinha isso na minha cabeça. Eu precisava que você soubesse, e que me perdoasse…

Cacete!!!
Eu tive tanta pena, mas tanta pena do garoto!!!
Perdoar quem? Ele? Mas por quê, meu Deus?!?!!!!

Ontem, comendo meu Waffle com minha geleinha de mirtilo, eu me lembrei muito dele, da católica, apostólica, romana da chata da mãe dele, e fiquei pensando:
– o preconceito é realmente um troço muito sério!
Ele consegue fazer uma criatura se sentir culpada, sem nunca ter tido culpa de nada, né não???

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3 opiniões sobre “Não basta a liturgia. É preciso vivê-la no dia a dia…

  1. céus! !!! tadinho. ….
    Como será que estão todos hoje?
    não quero puxar a brasa pro nosso lado não. …mas vc é muito bem servida de sogra, né não? vc saiu ganhando….

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