Achei um tesouro perdido…

Trabalhou comigo por mais de 15 anos uma criaturinha muito especial.
De colegas de trabalho, nos tornamos, com o passar dos anos, muito amigas.
Ela era bem mais nova que eu. Então, por um tempo, ela era pra mim meio filha, e eu era pra ela, meio mãe.
O tempo foi passando, e essa diferença de idade foi desaparecendo, e ficamos muito amigas mesmo.
Ela viu comigo, minhas filhas crescerem, virarem moças, muito de perto. Marília, ela conheceu desde quando estava dentro da minha barriga.
Viveu comigo lindos momentos com elas, e dividiu comigo meus medos e minhas angústias de mãe.

Essa nossa amizade é a prova concreta, de que podemos conviver em harmonia com nossas diferenças.
Minha amiga do peito é protestante, de uma fé inabalável em Deus. Eu, sem religião, com mil e quinhentos questionamentos sobre a existência ou não de um Ser Divino, fora de mim.
Nunca ela tentou me convencer de nada, nunca me julgou, e nem eu a ela.
Mas toda vez que eu estava mais triste, mais chateada, ela percebia, e me entregava a Bíblia com um papelzinho marcando alguma mensagem, que poderia me acolher e me ajudar. Sem falar nada. Só me entregava. E por várias vezes, “esses papeizinhos” me ajudaram muito…
Quando o serviço tava pouco, ela ficava hoooras me contando as histórias da Bíblia. E eu, muito curiosa, queria saber detalhes dessas histórias. Ela quase sempre sabia de tudo. Mas às vezes, soltava uma gargalhada e me dizia: – ah Lili, isso eu não sei não…
Por inúmeras vezes eu fui a cultos ver minha amiga cantar. Dona de uma voz linda, ela cantava no coral da igreja. E cantava com tanta alegria, que sempre me emocionava muito. Eu gostava muito de ir a esses cultos.
Fizemos algumas viagens juntas, e nos divertíamos demais… Ela era muito engraçada e muito, muito alegre. Topava tudo…
Além da voz bonita, tinha uma gargalhada inesquecível e contagiante.
Foram anos de uma convivência muito profunda e muito gostosa.
Depois que eu me aposentei, fiquei muito preguiçosa, e deixamos de nos ver com frequência.

Sexta feira, eu fui a um shopping perto da minha casa. Tinha que ir aos correios.Depois que fiz o que tinha que fazer nos correios, saí meio esbaforida pelos corredores do shopping, procurando onde eu pagava o estacionamento. Apesar de perto da minha casa, eu só tinha ido a este shopping uma vez, e muito rapidamente.
E na minha correria, escuto um “- Liliana???”
Eu não acreditei!!!
Era minha amiga tão querida que não via fazia tempo! Pulei no pescoço dela!
Foi um encontro, ou um reencontro, que fez “minha sanfona” se abrir… Como eu fiquei feliz!

Eu encontrei um “tesouro” que estava perdido!

– Ô Gui? Você me contou direitinho a história dos Hebreus, viu? Estou vendo “Os Dez Mandamentos” e tenho me lembrado muito de você. Você só se esqueceu de me contar que, naquele tempo, não existia gente feia!!!! Que povinho danado de bonito, heim???

Toda vez que escuto essa música me lembro muito de você.
Trocou o nome e cantou assim, num 29 de maio, pra mim…
Relembra aí.

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