Dormindo com a lacraia

Quando eu vim morar na casa onde eu moro hoje, há mais de 20 anos, entrava muito “bichinho” dentro de casa. Eles saíam do mato, onde deveriam ficar, e resolviam invadir minha casa.
Eram uns bichinhos muito fofos. Escorpião, aranha de todos os modos e feitios… Só nunca entrou cobra. Mesmo porque, se tivesse entrado, eu não estaria morando aqui hoje, nem que me pagassem.
Eu gritava e Rosa matava, porque, como eu já contei aqui, não mato bicho nenhum. Quase. Pernilongo eu mato… Ô bichinho infernal…

Quando eu topava com algum deles, eu ficava desesperada. Morria de medo de algum picar, ou morder, sei lá, uma das meninas. E aí, a vontade que eu tinha era de devolver minha casa pro vendedor, pegar meu dinheiro, comprar meu apartamento de volta, que eu amava…
Lá, entravam, no máximo, umas cigarras, quando elas vinham anunciar a chuva. Nem sei se elas ainda cantam por lá. Por aqui eu escuto, muito raramente, alguma solitária…
Na época da chuva, eram muuuitas e elas cantavam tão alto, mas tão alto, que a gente tinha que fechar as janelas pra poder conversar. É sério isso que estou falando! Era um zumbido danado.
E quando alguma entrava dentro do apartamento, e sempre entrava, Luana saía berrando e urrando feito uma doida dentro de casa. Tinha e continua tendo p.a.v.o.r de cigarra. Nem ela mesma sabe o porquê dessa paúra.
Imaginem agora, se ela topasse com algum escorpião ou uma aranha dentro do quarto dela? Jesus!!! Ela ia ter um ataque fulminante.
Então, ela nunca ficava sabendo das entradas dos invasores…

Uma noite, nem me lembro mais porquê, eu estava dormindo na cama da Luana com ela.
De repente eu acordei com alguma coisa mexendo no meu ombro. Acendi a luz do abajur. Não era uma coisa. Eram váááárias coisinhas…. Umas minhoquinhas cor-de-rosa. Lindiiiinhas demais!!!

– Meu Deus, o quê é isso????

Sentei a mão nas tais minhoquinhas, elas voaram longe, joguei lençol, colcha, tudo pro alto, Luana acordou, já berrando e aí…. Quem nós encontramos debaixo das cobertas???
Uma la-crai-a do tamanho, mais ou menos, de uma lagosta das graúdas….
E a bicha saiu desembestada com aquele monte de pernas, e nunca mais foi vista…

Imaginem aí, o que sentiu Luana, que morria de medo de cigarra, que é uma fofa, dormindo com uma lacraia!!!
Foi um resto de noite inesquecível!!!!
E pra Luana voltar a dormir no bendito do quarto dela, antes, ele passava por uma vistoria completa. Tudo, absolutamente tudo, era examinado.

Eu ontem me lembrei dessa história, porque estava trocando umas ideias sobre as áreas verdes de Brasília com uma amiga. Todo mundo acaba fazendo delas, nos lagos norte e sul, o jardim de suas casas.
É um caso sério. As áreas são do governo. Ok. Só que o GDF não cuida delas. Mal cuidam dos canteiros centrais.
E aí…. euzinha tenho que conviver com o mato beirando minha casa, e convivendo com os fofos dos escorpiões e aranhas, e ainda por cima dormindo com lacraia, que resolve dar à luz seus filhotinhos no meu ombro???

Como diz minha irmã, que morou grande parte da vida dela nos Estados Unidos,
“NO WAY”…
E num bom português, NÃO MESSSSMOOOO!!!!!!!!

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