Nem “chefe”, nem Bedel!

Eu sempre gostei de trabalhar fora. Comecei aos 17 anos.
Gostava tanto, que nem pensava na tal da aposentadoria. Só fiquei sabendo que já podia me aposentar, porque à época em que o “sociólogo” resolveu chamar aposentado de vagabundo, e mexeu nas regras da aposentadoria dos funcionários públicos, houve uma corrida danada no meu órgão. Era todo mundo com carteira de trabalho na mão corredor a fora, fazendo contagem de tempo. Eu só assistia. Um dia, um colega de trabalho, me perguntou quando eu poderia me aposentar.
– sabe que eu não tenho a menor ideia? Eu nem sei por onde anda minha carteira de trabalho.
– procura e traz pra mim. Vou fazer sua contagem de tempo.
No mês seguinte eu me aposentei…
Do serviço público. Arranjei outro emprego.

Do meu tempo de trabalho, existem duas coisas que eu faço questão de não me lembrar.
Uma são as tais das reuniões. Eu tenho duas características muuuito aguçadas. A praticidade e a objetividade.
E reunião não chega nem perto desses substantivos. Ô falta de paciência!!!
A outra, dessa eu senti um alívio danado, quando eu me aposentei.
“Chefia”….
Quando eu me aposentei, eu chefiava há algum tempo, 23 funcionários.
E o meu conceito de “chefia” foi criado em moldes nada parecidos com o dos “chefes”.
Controlar horário de entrada e saída de marmanjo, na minha cabeça, é função da catraca.
Andar pra lá e pra cá em corredor pra ver se “neguinho” está ao telefone, se está conversando com o colega, contar quantos lápis tá gastando por mês, na minha cabeça é pra Bedel, não pra chefe.
Ô alívio quando deixei de ser chefe? E me prometi que nunca mais eu chefiaria ninguém na minha vida. E assim foi no meu outro emprego. Ninguém pra eu “vigiar”. Paz total!!!

Ontem eu me lembrei dessa “fase chata” da minha vida.

No colégio do João Vitor e da Vitória tem um tal de um site, onde você se loga, entra, e ali está toda a vida deles.
Dia a dia.
Matéria por matéria.
A que horas o aluno entrou na escola, a que horas saiu, as matérias do dia, se o aluno compareceu a elas, se levou material, se conversou na sala, se entregou ou não o trabalho, se usou celular na sala, se participou da aula com interesse ou sem, enfim… Um verdadeiro “diário aberto” do aluno.

Por sugestão da coordenação da escola, eu combinei com os meninos que eu iria entrar no tal “diário aberto” toda sexta feira, junto com eles. Nós, juntos, íamos ver como tinha sido a semana deles.
Mas aí, eu resolvi dar “uma vigiada”, uma olhada, sozinha, como eles tinham se comportado no dia anterior.
Aí o bicho pegou pra mim…
A sensação que eu tive foi a pior possível…
Era como se eu estivesse “vasculhando” a vida deles, controlando os passos dos garotos.
Coloquei minha senha, apertei o “enter”….. E não consegui entrar….
Deixei pra sexta-feira mesmo, junto com eles…

De-ci-di-da-men-te, não nasci nem pra ser “chefe” e muito menos pra Bedel…

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