…. E se cair, levanta, sacode a poeira e comece tudo de novo…

Quando Luana e Marília eram criancinhas, coloquei as duas pra fazerem balé clássico. Balé clássico é base pra qualquer outra dança, e sempre foi uma das minhas paixões.
Luana amava! Fazia tudo com perfeição, seguiu com o balé e se formou como bailarina profissional.
Marília chegou um dia e me disse:
– ô mãe, eu não tenho paciência com esse negócio de “relevé”, “plié” não… Você bem que podia me colocar na ginástica olímpica. (hoje ginástica artística)
Coloquei Marília na ginástica olímpica. Pro colégio ela não fazia muita questão de ir não. Em compensação, se a ginástica era às 4 da tarde, às 2 ela já estava de rabinho de cavalo e de malha… Prontinha pra ir “pirulitar” nos aparelhos.
O biotipo da Marília era perfeito pra ginástica olímpica. Era mignonzinha, leve, super flexível e tinha muita força nas pernas e nos braços. Se deu muito bem na sua escolha.
Eu nunca ia aos treinos. Trabalhava o dia todo. Mas ia a todas as apresentações e competições. E ô sofrimento era ver Marília em cima da tal da “trave de equilíbrio”… Meu Deus, como eu sofria… Era muita pirueta em cima de uma barrinha de 10 cm de largura e a 1,25m do chão… Eu sempre assistia com um olho aberto e o outro fechado.
Marília era muito interessante. Ela sempre me dizia:
– mãe, não precisa ficar nervosa com a trave não, mãe! Se eu cair, eu levanto e continuo…
E assim ela fazia. Se caía, ela se levantava, não perdia a tranquilidade, nem a graciosidade. Pulava em cima da bendita e seguia seu exercício.
A primeira medalha de ouro que Marília ganhou, foi numa competição interclubes daqui de Brasília.
Foi uma emoção forte…. E eu era que nem a mãe do Thiago (o nadador). Gritava feito uma doida a cada aparelho que Marília ia bem. -“vai Marília, vai Marília!!!!”

Quando todas as meninas se apresentaram, o treinador da Marília me disse: – entre as três melhores, ela fica.
Eu me posicionei atrás dela, na arquibancada. E aí foi muito engraçado, porque o juiz anunciou a terceira colocada… a segunda… E aí ela olhou pra mim, eu pra ela e ela me peguntou: – uai, mãe! Será????
Quando ouvi o nome dela, pulei a corda que separava o pódium, agarrei Marília nos braços, chorei que nem uma condenada e só soltei minha filhota, quando o treinador me disse, morrendo de rir: – ei! Ela precisa ir receber a medalha dela!!!
Mas a “alegria” da Marília terminou antes do previsto. Aos 9 anos ela foi pra Houston, fazer um treinamento com o Bela Karoly, treinador da Nadia Comaneci.
Foi um treinamento tão intenso, que Marília lesionou o cotovelo por esforço, e teve que abandonar a tão querida ginástica olímpica dela. Vai entender a vida!!!

Assistindo às competições de ginástica artística de Toronto, eu ainda consegui ficar nervosa com a bendita da trave, e me lembrei muito da Marília me acalmando.
Acho que, no fundo, ela quis me dizer:

– Diante de uma dificuldade, mantenha o equilíbrio, dê um passo de cada vez com firmeza e confiança. E se cair, levanta, sacode a poeira, e comece tudo de novo…

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