…. e numa noite de eclipse, nós dormimos juntas e acordamos separadas…

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Dos meus três filhos, Luana foi a única “planejada”.
Rafael e Marília, “eu nem estava pensando nisso…”
Depois de quatro meses de uma espera ansiosa, eu saí cedo de casa, e fui ao laboratório pegar o resultado do exame que, eu tinha certeza absoluta, daria positivo e que seria uma menininha.
Esperei, na porta, o laboratório abrir. Naquela época não havia celular, e eu precisava voltar em casa antes de ir trabalhar, para dar a notícia pro Wayne, e ligar pra minha mãe. Ela estava nos Estados Unidos com minha irmã, que tinha dado à luz minha sobrinha. Mamãe precisava saber, rapidinho, que seria vovó de outra menininha.
– …. Mas como você sabe que é uma menina?
– não sei… Só sei, que sei…
Desci a rampa do edifício com o “papelzinho precioso” na mão, sem conseguir enxergar direito o chão. As lágrimas embaçavam completamente minha visão.
Como é gostoso chorar de alegria e emoção!!!

Ainda com o resultado na mão, comecei a pensar no nome que daria pra minha filhota tão esperada.
Queria que fosse Anna, assim mesmo, com dois “n”s. Wayne não gostou.
Comecei então, a juntar nomes com Ana e, finalmente, cheguei ao Luana, que é uma mistura de Lua com Ana. Achei poético, suave, mas também um nome forte.
Pensei: pra vivermos a vida precisamos ser suaves, mas muito fortes…
E assim, minha menina foi chamada Luana, desde dentro da minha barriga.
Durante os nove meses de espera para ver o rostinho de Luana, eu via minha barriga crescendo e me achava cada dia mais plena, mais feliz e mais linda…

… e numa noite de eclipse lunar, de um 11 de agosto, Luana e eu dormimos juntas e acordamos separadas. E eu pude ver e tocar na minha pequena, com quem eu brincaria de boneca durante muitos anos.
De novo, as lágrimas embaçaram minha visão, mas eu pude ver que Luana, como que satisfazendo meu desejo, era grande, gorducha e careca… Era um bebê lindo!!!

Junto com Luana, nasceu também uma história de muito amor, de muito carinho, de muita amizade, de muita cumplicidade.

Hoje, neste 11 de agosto, Luana completa 35 anos.
Nesses trinta e cinco anos, vivi com Luana os melhores momentos da minha vida.
Vivemos juntas também, momentos tristes e difíceis; mas “minha boneca”, mesmo carregando dentro dela um sofrimento imenso, mesmo assim, deu conta de segurar nas minhas mãos, e me dizer: “nós vamos dar conta, mãe!”.
E assim continuamos. Juntas, inseparáveis, de mãos dadas, nessa nossa caminhada que se iniciou há mais de trinta e cinco anos, quando Luana ainda estava dentro de mim.

– Parabéns, minha filhota adorada! Obrigada pelo seu sorriso, pelas suas mãos, pela sua amizade, pelo seu amor. Obrigada pelo Adri, Helena e Gustavo.
Obrigada pela sua existência!
Que a vida nos permita, Lu, vivermos juntas, todo nosso amor, toda nossa amizade, por muitos e muitos anos!!!

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