A semente da Tamareira

Eu fui batizada na Igreja Católica, fiz primeira comunhão, fui crismada, me casei na igreja, e estudei até o ginásio, nem sei mais que nome tem hoje, em colégio de freiras.
Mas na minha casa não havia cobrança religiosa, e eu pouco ia à missa. De bíblia, não entendo quase nada. Só o basicão. Não me recordo o que era estudado nas aulas de religião, na escola. Bíblia não era, porque se fosse, eu saberia muita coisa.
Na realidade, cresci no meio de católicos, mas nunca fui chegada à religião. Sempre fui muito questionadora e isso complicou muito minhas crenças. Depois, sempre achei que religião separa os povos. Nos tornam reféns “de um só”. Eu sempre fui mais chegada no plural. Aliás, já nasci “plural”. Sou Gêmeos. Tudo meu é mais de um…

Por conta desse quase total desconhecimento da história contada na bíblia, eu resolvi assistir à novela “Os Dez Mandamentos”. Podia ter visto o filme, mas nunca me interessei. Ler a Bíblia… É grande demais. Dou conta não.
Sei lá eu porque cargas d’água, tomei essa decisão. De querer conhecer agora.
Não tenho nenhum interesse de me convencer de nada. Nem a ninguém.
Só quero conhecer a história mais detalhada, PONTO.
Como eu tenho uma amiga que, de bíblia entende tuuuudo, eu sempre me recorro a ela, quando acho “alguma coisa demais” pra minha cabeça.
– mas vem cá? Essa praga dessa mulher existiu mesmo?
Ela muito mansa:
– olha Lili! Não existe registro dela na bíblia não…
– ah tá! Essa é a parte da ficção, né?

Mas eu tenho me emocionado muito assistindo à novela.
Com dois personagens, especialmente. Eu gosto mais da vila dos Hebreus, do que do palácio dos Faraós… Gente arrogante…

Um desses personagens é a mãe de Moisés, Joquebede. Ô mulher sábia! E corajosa! E doce! E ela não está sábia nesta fase de agora da novela, quando ela já está mais velha, não. Desde o início da novela a sua coragem, a sua doçura, os diálogos dela com o marido e os filhos me encantaram. E continuam me encantando.

Outro personagem é o pai de Moisés, marido da Joquebede. Vivido na novela, pelo Paulo Gorgulho, que deu um show. Já partiu. Mas não devia ter ido. O cara falava com a boca, com os olhos, com as mãos… Grande interpretação!
Seus ensinamentos, seus diálogos, quase sempre com a família, eram de uma ternura, de uma sabedoria, que eu sempre chorava de emoção.

Há poucos dias, sentindo que estava prestes a morrer, ele conversou, separadamente,com a filha, a esposa e os filhos. Moisés e Arão. A conversa com a esposa eu não vi. Perdi o capítulo. Mas o diálogo desta criatura com os filhos foi uma coisa tão linda! Carregado de amor, de coragem, de esperança… Foi forte. Como dizem os mais novos, “foi punk”. Eu achei.
Depois de conversar com os dois, sobre a grandiosidade da missão que foi confiada a eles por Deus, de libertar os Hebreus e levá-los para a “terra prometida”, ele foi indagado por Moisés:
– mas e se nós não dermos conta?
– não tenham medo. Deus dará a vocês dois, o que vocês vão precisar para cumprirem a missão de vocês: FORÇA, SABEDORIA e MANSIDÃO!

Eu escutei essa frase e fiquei por algum tempo, com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, com a unha entre os dentes (é um hábito que eu tenho, quando estou pensando), repetindo pra mim mesma: força, sabedoria, mansidão… Força, sabedoria, mansidão…
Mas não é exatamente disso que precisamos para “cumprirmos nossa missão”, neste mundão de meu Deus? Força, sabedoria e mansidão? Eu tenho pra mim, que sim…

Por conta de um de seus diálogos com Moisés, eu ganhei de presente da minha sogra, uma semente de Tamareira.
Ele conversava com Moisés sobre o “esperar”. E fez uma analogia entre o tempo de acontecer algo e a semente da Tamareira. Se você planta em seu quintal uma tamareira adulta, você colherá as tâmaras num tempo bem menor do que se plantar a semente da Tamareira. Vai ter que esperar “o tempo” da semente da Tamareira.
Quero carregar essa semente dentro da minha carteira. Toda vez que eu ficar impaciente com o “tempo” das coisas, vou segurar a semente na minha mão e me lembrar que as coisas têm seu tempo pra acontecer.

E ontem… eu recorri à minha semente da Tamareira, pela primeira vez.
Estou com uma crise de sinusite aguda. Tive uma febre meio alta, e eu sou, completamente, sem resistência à febre. Trinta e sete graus de febre, e eu me sinto como se um trator tivesse passado em cima de mim.
Tomei um analgésico e nada da febre passar.
Comecei a ficar impaciente com a dor, que ia da cabeça aos pés, literalmente.
Aí… Me lembrei da semente… Apertei a bichinha na minha mão e falei, mentalmente, pra mim: Liliana, o remédio precisa do “seu tempo” pra fazer acontecer.
E você precisa esperar pelo tempo dele…

Nem sempre as coisas acontecem no nosso tempo. Temos mesmo que, pacientemente, entender e esperar pelo tempo dos outros…

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4 opiniões sobre “A semente da Tamareira

  1. Lili minha querida, hoje eu precisava tanto de me apegar a alguma coisa que tirasse minha ansiedade com a bendita reforma da casa e vem você falando exatamente disso. Mas te contar, amiga, que pra meu caso uma sementinha só resolve não, viu? Bejim. Valeu a dica.

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    • É amiga infelizmente ainda existem cegos entre nós. Muito triste isso! Deus tenta provar mas pena que tenha que ser na dificuldades pq infelizmente tem pessoas que não tem força, sabedoria e mansidão para resolver as coisas da vida! Bjs amei tudo que falaste!

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  2. Boa tarde! Sabe, tenho assistido a essas novelas. Adoro tamaras e, no ultimo Natal resolvi plantar 2 sementes. Achei que nao iriram brotar mas, para meu espanto…as duas brotaram e hj estao com cerca de 15 centimetros cada uma. Fui pesquisar sobre as Tamaras e elas sao da familia das palmeiras. Para o povo arabe em geral possuem um signifado bastante amplo e, quase sempre, as usam em suas parabolas e historias a fim de representarem sempre uma licao para o bem. Amo as Tamareiras, procure ler sobre elas e suas parabolas…tbm nao tenho religiao, nao sigo nenhuma, porem e muito curioso as Historias dos Arabes envolvendo as Tamareiras.

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