Amanhecer é uma lição do Universo

Eu tenho uma amiga que eu incluo no rol das “pessoas geniais” que eu conheço.
Inteligente, espontânea, verdadeira, sensibilidade à flor da pele, espirituosa, alegre….. e como os nossos defeitos são, quase sempre, nossas maiores qualidades, tem a cabecinha cheia de “caraminholas”. Pensa demais…. Isso faz com que ela, pra mim, seja uma excelente companhia prum bom bate papo. “Papo cabeça”, como nós duas costumamos chamar nossas conversas. Quem me conhece bem, sabe que eu adoro essas conversas “profundas” que, quase sempre, só servem mesmo pra complicar mais um pouco minha cabecinha… Tipo aqueles filmes que você sai da sala com fumacinha saindo da cabeça e fica assim por uns três dias.

Essa minha amiga ficou órfã de mãe aos dezessete anos e, como acontece sempre com o filho mais velho, se tornou meio que mãe dos irmãos, e aí ficou realmente órfã. Injusto, né? Eu acho. Mas assim funciona a vida…
Há pouco tempo perdeu o marido, a quem amava e ama profundamente.
Vive uma fase dolorida, de buscas, de descobertas, de “volta ao passado”.
Escreve muito bem e, como ela mesma diz, anda escrevendo pra viver.
Resolveu abrir um blog. Eu dei a maior força. É muito bom escrever quando estamos com uma enxurrada de sentimentos dentro de nós. Eles precisam sair para se organizarem.

Hoje, minha amiga postou um texto em seu blog (vou deixar o link ao final), falando “do dia seguinte às grandes perdas”.
Deixar a vontade de viver na escuridão e partir para a luz, é um processo difícil, demorado e doloroso.
Mas…. se quisermos realmente viver na claridade novamente, é possível. A duras penas, aos trancos e barrancos, damos conta de deixar a luz entrar entrar de novo em nossas vidas, e voltar a viver o que há de belo e de bom por aqui.

O sentimento mais doloroso que podemos carregar é em relação ao ser amado que partiu. É a pena dele não poder mais viver o “dia seguinte” junto da gente. É não poder mais amanhecer, é não poder mais viver toda a magia da vida, junto de nós.

Lendo o texto da minha amiga, parecia que eram meus dedos que haviam escrito tudo aquilo que ela escreveu, tamanha a semelhança da forma de “sentir”. Terminei de ler e fiquei olhando pro nada, pensando, e fiz uma descoberta.

…. Além da saudade, da falta que eu sinto da presença física da Marília ao meu lado, existe em mim esse “sentimento de culpa”. Por eu ter o direito de amanhecer todos os dias, de ver e viver as maravilhas da vida, de conviver com quem ela amava… E ela… Nunca mais….

Depois do medo, do qual eu falei aqui outro dia, vem o sentimento da culpa, que é outro detonador da nossa alegria.

http://marinavivendoeescrevendo.blogspot.com.br/2015/11/o-dia-seguinte.html?m=1

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