Plié! Relevé!

Eu recebi um vídeo de uma amiga minha com sua netinha dançando em frente à TV.
Uma gracinha!
Numa certa altura, ela, a criancinha, começa a dançar na pontinha dos pés.
Eu respondi pra minha amiga que sua netinha estava muito linda dançando no “relevé”!!!

Vendo o vídeo, eu me lembrei da Marília com o tal do “relevé”.

Eu sempre gostei muito de balé clássico. Só fui ter a oportunidade de fazer aula do dito cujo, depois de adulta. Eu não pretendia ser bailarina, já havia escolhido minha profissão. Mas, só por gosto mesmo, eu me matriculei, no Teatro Dulcina, e fiz um bom tempo de balé clássico. Parei quando engravidei da Marília, e minha barriga já estava me impedindo de fazer todos os movimentos. Depois, com duas crianças, com a diferença de idade muito pequena, o tempo encurtou e eu “passei a bola” pra Luana e Marília. Mas… confesso pra vocês que todos os dias depois das minhas aulas, eu saía do teatro me achando a Ana Botafogo!!! Ô felicidade!!!

Quando Luana e Marília completaram 3 aninhos, eu coloquei as duas no balé clássico.
Luana amava! Marília…, nem tanto…
Luana comportadíssima, fazia tudo com perfeição. Marília…, nem tanto…
Todos os finais de ano tinham os espetáculos. Sempre muito bonitos, coreografias muito bem feitas, figurinos e cenários caprichadíssimos.
Eram verdadeiros espetáculos!
A academia toda participava.
Ao final da apresentação das pititicas, havia sempre uma tal de “dança livre”. Era quando as “bailarinas” dançavam “de acordo com a coreografia da sua alma”!
Luana já tinha, nesta fase, os movimentos suaves, já dava suas piruetas bem feitinhas, subia no relevé, descia no plié, tudo com a suavidade própria de uma bailarina clássica.
Marília…, nem tanto…
Corria de um lado pro outro do palco, ocupando todo o espaço disponível, saltitando feito uma cabritinha! De vez em quando tropeçava nas próprias pernas, e levava um tombo. Mas levantava com a mesma euforia e retomava a coreografia feita por ela mesma… Era muito engraçado!
Ali, já dava pra sentir que Marília não levava o menor jeito “pra coisa”!
Mas eu insistia…

Quando ela tinha 7 aninhos, eu cheguei um dia em casa do trabalho, dia de aula de balé das duas, e ela me disse:
– mãe, eu não aguento mais essa coisa chaaaata de “pliéééé”!, “relevéééé!”. Me coloca na ginástica olímpica, mãe? Por favor, vai!!!

Luana recebeu o diploma, fornecido pelo MEC, de “bailarina clássica profissional”.
Marília abandonou o balé aos 7 anos.
Foi dar seus pinotes, me matar de nervoso, na ginástica olímpica. “Pliééé”, “relevééé”, nunca mais…

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