Brasília tem de tudo e “de todos”

Numa das minhas idas a São Paulo, eu peguei um táxi e o taxista me perguntou:

– vocês são de onde?

– de Brasília.

– Brasília…. A cidade dos políticos. Dos ladrões…

Eu não titubiei

– tem os de lá e os que o Brasil inteiro manda pra lá. Inclusive vocês, né?

Silêncio sepulcral….

Pode um trem desse? Tinha que ser comigo….

Mas… Brasília não é só a cidade de políticos e de ladrões, né?

Uma amiga minha postou no Facebook este texto sobre Brasília, que eu achei muito bonitinho:

“Morei no plano, aprendi a fazer tesourinha, trabalhei no setor bolinha, entendi a disposição das quadras. Posso dizer que meus quase oito anos de Brasília valeram a pena. De sul a nordeste deste Brasil, entre todas as cidades onde morei, acho que Brasília é a cidade que mais domino. Amei morar aqui.

É uma cidade grande, mas não tanto. Tem violência, mas não tanto. Trânsito tem também, mas não tanto. Estacionamentos tem, quer dizer, esses não tem mesmo. Quando me apresentaram Brasília, disseram que havia quadras para cada coisa que se precisasse. Tipo, quadra das farmácias, das elétricas, das lojas de bebê. Eu pensei: “Gente, mas isso não parece prático. Aí você precisa ir na farmácia e vai ter que atravessar a cidade?” Mas a verdade é que existem essas quadras sim, mas nas entrequadras você encontra um mini comércio bem organizado e com um pouco de tudo.

Aí falaram das tesourinhas. O raio das tesourinhas. Que são, aliás, como trevos que passam embaixo das principais vias do plano piloto. Deve haver quem passe uma vida inteira e não pegue a dinâmica das tais, se você tem dificuldades com noções de espaço, sugiro usar o GPS.

Plano piloto é a famosa Brasilia, embora, todas as cidades satélites respondam por Brasília também. As cidades satélites são governadas pelas suas Administrações Regionais, que são escolhidas a partir do GDF, o Governo do Distrito Federal, para o qual se praticam as eleições como as dos governos estaduais.

Para qualquer lugar que se vá, você leva 30 minutos.

Eu elegi um shopping para necessidades específicas. Por exemplo, fazer orçamentos de óculos: Conjunto. Dar umas voltas sem comprar nada: Iguatemi. Comprar livros: Casa Park. Comprar barato: Pátio. E o meu preferido: Parkshopping. Meu marido ficava impressionado como eu sabia para que lado fica cada coisa por lá, era meu álibi sobre ter inteligência espacial, já que com as tesourinhas: custou!

Brasília é o paraíso dos concursos, a maioria dos jovens que conheço estudou direito visando concursos púbicos. O resto também visava os concursos, mas não exatamente pelo caminho direito, digo, o curso, né?

Meu Noah, desde bem pequeno, adorava passear na Catedral “dos sinos”, Torre de TV, Esplanada, Zoo, o que me fez ver que Brasília é muito mais que a Feira dos Importados (ponto turístico também).

Existe um sinal que comprova minha adaptação às cidades novas. Quando descubro um bom salão de beleza e um bom supermercado. Quando isso acontece, já me considero inicialmente adaptada. O resto vem naturalmente. Não temo.

Só em Brasília morei em 6 endereços diferentes. Então foram 6 salões, 6 supermercados. Mas, ao final, eu já podia escolher entre os 6, e nossa! Que sensação maravilhosa essa de ter raízes.

Depois de passar por São Paulo, Sergipe e Rio Grande do Sul, digo que Brasilia tem um jeito muito peculiar que se encaixou comigo. O povo é humano, animado, de todo lugar e de lugar nenhum. Não existe um sotaque só, mas existe sotaque de todo canto representado, e existe a mistura de todos eles. Me senti em casa desde o primeiro dia.

Mas de tudo isso, do que mais sentirei saudades são as pessoas. As que eu visitava nas tardes solitárias, o pessoal que sempre topava sair em cima da hora, as amigas com filhos, as amigas de vez em quando, a turma da risada, a galera dos ensaios, o pessoal do papo sério, os conselheiros papo firme.

O que torna Brasília a mais especial, de fato, são as estatísticas. Aqui existem mais amigos por quilômetro quadrado do que qualquer outro lugar do mundo. A maior concentração já registrada. Por isso, sentirei saudade. Brasilia nomeia, de certa forma, cada um desses amigos.

Obrigada por tudo, Brasilia.

Vou sentir falta do chocolate quente cremoso do Biscoitos Mineiros. Do frango no tucupi, na Feira da Torre. Dos pastéis na Feira do Guará. Do almoço farto no Palhoça. Dos pores-de-sol na Esplanada. Dos flamboyants e dos Ipês. Da pechincha na Feira dos Importados. Da praticidade de Águas Claras. Dos pastéis da Viçosa. Das bicicletas alaranjadas. Dos passeios no Parque da Cidade. Do Nicolândia. Dos artistas nos semáforos. Do Na Hora. Do Mangai (consagrado patrimônio da humanidade). Dos domingos no Eixão. Dos pequenos e astronômicos ajuntamentos no Estacionamento 4 do Parque da Cidade.

Não vou me esquecer das inundações do Vicente Pires. Da bagunça de Taguatinga. Do frio na barriga em Ceilândia. Do medo no Sol Nascente. Do mofo metade do ano. Da seca na outra metade. Dos acidentes de trânsito no início da temporada de chuvas. Da Weslian Roriz.

Quando eu voltar, com meu próprio carro, táxi ou transporte público saberei chegar em qualquer lugar. E, talvez, pouca gente entenda quão extraordinário seja isso. Voltarei, um dia.

Me despeço, por enquanto.

Adeus, Brasília”

Adeus, Brasília

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