Rússia, uma linda!

 

A vida nos traz sempre surpresas. Umas agradáveis, outras nem tanto…
Não temos mesmo o comando das rédeas das nossas vidas.
Por isso, planejar é sempre arriscado.

No início desse ano, minha comadre me contou que ia fazer uma viagem à Rússia, em abril, com sua tia. Uma senhorinha encantadora, esquerdista, como eu, culta, inteligente, papo pra lá de gostoso.
Eu, muito da folgada, me incluí na tal viagem. Minha comadre aceitou minha intromissão.
Conhecer a Rússia era mesmo um desejo meu.
Na companhia da minha comadre, com quem adoro viajar, e da “tia Luly”, eu tinha certeza que conhecer a Rússia seria mais interessante .
Esperei ansiosa pelo dia da partida.
Passaríamos cinco dias em Londres e dez entre Moscou e São Petesburgo.
Tudo pago, mala arrumada…
Quinze dias antes da data da viagem, minha comadre me liga para me dar a triste notícia que tia Luly havia sofrido um aneurisma e não iria mais viajar.
Como assim??? A viagem era dela, pra ela, em torno dela???
Tia Luly faleceu…
Que tristeza! Que incorformação! Pensei em desistir da viagem. Minha comadre não aceitou. É forte. É decidida. É otimista. Não se entrega fácil não.
– vamos fazer a viagem sim. Em nome da “titia”! Veremos tudo e dedicaremos tudo à ela.
De uma forma ou de outra, tia Luly estará junto com a gente, pensei.
E assim fomos. Nos juntamos a três amigas da tia Luly, e realizamos o desejo dela e o nosso.
Conhecemos a Rússia.

Moscou linda! Austera, exótica, elegante, charmosa!!!
Me encantou desde que saímos do aeroporto e fomos até o hotel, de carro, por suas ruas largas, debaixo do seu céu claro, avistando as cúpulas por vezes douradas, por vezes coloridas, das catedrais ortodoxas. E são muitas, muitas! Lindas!
A religião mais professada na Rússia é a Cristã Ortodoxa.
Não saberia dizer qual a catedral mais bonita que visitei. Todas encantadoras. E, como tudo na Rússia, cada uma com uma história. Sempre contada em forma de pinturas em suas paredes. Uma coisa fantástica.
A Praça Vermelha, tão famosa! Que lindeza! Que encantamento!
O Kremlin, enorme, construção belíssima.
Alí, entre os muros, que cercam o Kremlin, que protegia a população das invasões, nasceu Moscou. Cresceu, com suas histórias de muitas batalhas e se transformou numa cidade enorme, encantadora.

O Bolshoi, cujo significado é “o maior”! Ah o Bolshoi que tanto me imaginei visitando o teatro e assistindo a um espetáculo dessa companhia de balé maravilhosa! E lá estava eu, minha comadre, nossas companheiras que se tornaram nossas amigas, e tia Luly no nosso pensamento. Lindo! Tudo fantástico. Tão fantástico quanto fantástica é a história de Moscou.

Moscou estava toda enfeitada. Cheia de flores, balões, ovos enormes pintados, por tudo que é canto. Comemoravam a chegada da primavera, o primeiro de maio, dia do trabalhador, a páscoa Ortodoxa, e ainda a vitória, da então União Soviética, sobre os Nazistas.
Tivemos a sorte de pegar uma Moscou cheia de comemorações, enfeitada, o que deve tê-la feito ainda mais bonita.
Não houve só comemorações. Aconteceram muitas manifestações em prol de mudanças que se fazem necessárias para o povo russo.

O meu tão esperado encontro com o metrô de Moscou, foi além do que eu esperava ver.
Que coisa fantástica! Mais parece um museu de obras de arte.
A cada estação era uma surpresa maior que a outra. Indescritível a beleza. E cada estação conta, com pinturas nos tetos e nas paredes, esculturas, mosaicos, uma parte da história de Moscou e da Rússia.
Tudo lindo.
Muito aprendizado, muito conhecimento.

Deixei Moscou apaixonada pela cidade, pelo seu povo, pela sua história e fomos de trem para São Petesburgo.
Totalmente diferente de Moscou.
Cidade planejada. Mais metrópole.
Ruas mais estreitas, mais gente transitando nas ruas, menos “clara” que Moscou.
Mas muito linda também. Me lembrou Budapeste.
São Petesburgo, que já foi Leningrado, em homenagem a Lenin, é chamada a Veneza da Rússia. Isso por conta do Rio Neva, lindo, e seus canais. Fizemos um passeio de barco por ele. Realmente é muito parecido com Veneza. Construíram até uma ponte em um dos canais, como a Ponte dos Suspiros de Veneza.
Muitos castelos, muitos museus, teatros, e muita, muita história.
Não pude realizar meu desejo de ver o Kirov. Pouco tempo pra muita coisa a ser vista. Fui obrigada a fazer opções. Mas vi o teatro por fora. Já me fez alegre. Não é tão grandioso quanto o Bolshoi. Pelo menos por fora, não sei dizer por dentro. Quem sabe numa outra ida à Rússia, heim???
Optei por assistir a um balé dos Cossacos. Povo do sul da Rússia, que vivia no campo, famoso pela sua bravura e autosuficiência.
Muito, muito lindo!
Não me arrependi!

Uma das coisas que vi em São Petesburgo que me deixou maravilhada foi o museu Hermitage. Ele por si só, já é uma obra de arte. Como era o castelo de inverno da Catarina “A Grande”, é belissimo! Seus tetos são de cair o queixo. Seus lustres, suas portas… Tudo, tudo lindo demais. Muitas, muitas obras de arte. Do mundo todo. Catarina era danada… Gostava muito de arte e foi adquirindo quadros e peças que hoje fazem parte do acervo do museu. A história da Catarina é muito interessante. Vale a pena vocês darem uma lida sobre ela. Não dá pra eu contar aqui. Seria uma livro… Aliás, existem vários. Vale a pena a pesquisa…
A Rússia é hoje um país onde o “capitalismo” entrou de sola. Tem de tudo.
Perguntei pra nossa guia, uma russinha encantadora, que falava com a gente em espanhol, como os russos receberam a “abertura”.
Ela me respondeu:
– muita coisa boa aconteceu. O que mais fazia os russos sofrerem era a proibição de praticarmos nossa religião nas nossas igrejas. (o povo russo é muito religioso) Tínhamos que fazer nossos cultos dentro de nossas casas, às escondidas. Nossas igrejas foram fechadas e até derrubadas por Stalin. Não se podia falar em religião. Outra coisa boa é que hoje temos o direito de “ir e vir” que não nos era permitido. Os russos hoje podem conhecer outros povos, outras formas de vida, outros países, também podemis nos expressar, abertamente, sobre a política de nosso pais. Podemos fazer manifestações contrárias a alguma coisa com a qual não concordamos. Mas é inegável que muita coisa boa ficou da época da União Soviética e que nós russos não queremos perder, como o ensino gratuito, do fundamental até à Universidade. Já temos muitas escolas e universidades privadas, mas as melhores são as públicas. Não queremos perder o sistema de saúde gratuito. Nossos melhores hospitais são os públicos. Já existem muito privados também. Mas são muito, muito caros. E uma coisa muito importante é que não existe, sequer, uma pessoa na Rússia que não tenha sua casa própria. Isso nos foi deixado pelo Gorbachev, na Perestroika. Esses apartamentos não foram vendidos aos moradores. Foram dados a eles. Hoje, já existem casas e apartamentos mais luxuosos, construídos por empresas privadas. Como somos donos dos nossos apartamentos, como temos documentos de posse, podemos vendê-los e comprarmos outros maiores, se quisermos.

Os russos nunca falam a palavra “comunismo”. Eles se referem a esse período sempre como “União Soviética”. Achei isso interessante.

Não vi mendigos, não vi pedintes.
Vi uma Rússia de ruas limpas, de gente alegre, receptível, amável, educada, culta.
Das viagens que já fiz, essa foi sem dúvida, uma das melhores.
Aprendi muito, conheci muita coisa interessante e bonita e me diverti pra valer!!!!
Tia Luly sempre presente no meu pensamento e “vendo” tudo comigo.

E os russos são espertos, sabiam?
Privatizaram um monte de coisa.
Mas não entregaram pra “seu ninguém” a sua “Petrobrás”!!!!

Acho que tia Luly ia gostar de saber disso!

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