Mãe avó!

É verdade que sou avó de duas crianças encantadoras, como sempre são as crianças, que me enchem de alegria!
Acompanhei o nascimento de Helena e Gustavo desde as primeiras contrações da Luana.
Fiquei ao lado dela todo o tempo do seu trabalho de parto, lhe dando meu carinho e minha atenção. Só não pude sentir as dores das contrações por ela.
Os dois nasceram em casa e, por isto, por duas vezes, senti a emoção de ver a chegada de um serzinho a este mundo. Lindo demais! Nunca me esquecerei!
Tentei, ao máximo, na fase do puerpério da Luana, dar tudo de bom que trago dentro de mim, a ela. Amor, carinho, cuidado.
Mas é verdade que, quando li este texto que transcrevo a seguir, não me lembrei de mim.
Me Lembrei muito da minha mãe! Senti uma saudade enorme dela!!!
Me lembrei dos bolos, das comidas que ela sabia que eu gostava e fazia pra mim, quando eu tive meus três filhos.
Me lembrei da CANJICA!!!!
Minha mãe era do tempo que “a canjica aumentava o leite”!
“Saudade de você, mamãe”!!!!
“Canjica

Enquanto os olhos do mundo estão no bebê que acaba de nascer, a mãe da mãe enxerga a filha, recém-parida. O papel de avó pode esperar, pois é a sua menina que chora, com os seios a vazar.

A mãe da mãe esfrega roupinhas manchadas de cocô, varre o chão, garante o almoço. Compra pijamas de botão, lava lençóis sujos de leite e sangue. Ela sabe como é duro se tornar mãe.

No silêncio da madrugada, pensa na filha, acordada. Quantas vezes será que foi? Aguentará a manhã com um sorriso? Leva canjica quentinha e seu bolo favorito.

Atarefada, a mãe da mãe sofre em silêncio. Em cada escolha da filha, relembra suas próprias. Diante de nova mãe, novo bebê, muito leite e tanto colo, questiona tudo o que fez, tempos atrás. Tempo que não volta mais.

“Se hoje é o que se tem, então hoje é o que é. Olha nos olhos, traz pão e café. Esse é o colo, esse é o leite. Aqui e agora, presente.

A mãe da mãe ajuda a filha a voar. Cuida de tudo o que está às mãos para que ela se reconstrua, descubra sua nova identidade. Ela agora é mãe, mas será sempre filha.

Toda mãe recém-nascida precisa dos cuidados de outra mulher que entenda o quanto esse momento é frágil. A mãe da mãe pode ser uma irmã, sogra, amiga, doula, vizinha, tia, avó, cunhada, conhecida. O fato é que o puerpério necessita de união feminina, dessa compreensão que só outra mãe consegue ter. O pai é um cuidador fundamental, comanda a casa e se desdobra entre mãe e filho, mas é preciso lembrar que ele também acaba de se tornar pai, ainda que pela segunda ou terceira vez.

Marcela Feriani”

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3 opiniões sobre “Mãe avó!

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