Já sinto saudade de você!

Vocês já tiveram ou têm uma amiga que vocês tem certeza que gostou ou gosta, verdadeiramente, de vocês?
Aquela que, pra ela, suas qualidades se sobrepõem, e muito, aos seus defeitos?
E que, mesmo pros seus defeitos ela tem uma “desculpa”?
Eu tive…

Trabalhamos por anos, mas muitos anos mesmo, juntas.
Durante esse longo tempo nunca brigamos, nunca, sequer, discutimos.
Como era doce a minha amiga!
Doce, inteligente, culta, pura e boa de coração; de uma simplicidade, de um desapego de dar inveja:
– você engraxou seus sapatos? Eles estão brilhaaaando!!!
– não! É que quando eu comprei aqueles, eu comprei dois pares iguais! Aí, aquele estava velho demais e eu resolvi trocar pelo outro! É este!!!

Assim era minha amiga!

Parecia que éramos muito diferentes. Eu, vaidosa! Ela, desse jeito. Usava, pra trabalhar, um par de sapatos até acabar; depois trocava por outro igual. Sempre de rabinho de cavalo, sem uma gota de maquiagem. Preferia dormir mais um pouco do que ter que se arrumar. Eu, falante, espevitada. Ela, caladinha, sempre no cantinho dela.
Mas nos parecíamos muito na forma de ver a vida. Nos nossos conceitos, nos nossos valores.
E, por isso, durante este tempo que passamos juntas, foi crescendo, entre nós duas, uma amizade forte, uma amizade cúmplice.
Depois da minha mãe, era quem mais sabia de mim.
Guardava com ela todos os meus segredos; sabia de todas as minhas angústias, de todos os meus medos, de todos os meus amores e desamores.
Conversar com minha amiga era uma das coisas mais prazeirosas da minha vida!
Eram conversas francas, gostosas, divertidas!
Minha amiga esteve ao meu lado nos momentos mais alegres e nos mais tristes da minha vida.

A vida nos separou por um tempo.
Nos reencontramos há uns três meses.
Foi um almoço alegre, divertido; falamos de nossas vidas, de coisas boas, de coisas tristes, rimos e choramos também. Porque assim é a nossa vida! Dá pra rir e dá pra chorar também.
Nós duas não sabíamos, mas aquele almoço era uma despedida.
Semana passada minha amiga partiu. “Partiram” com minha amiga. Tiraram da forma mais cruel, mais absurda, mais covarde a vida da minha amiga. Um tiro sem propósito, de pura maldade, de pura crueldade, levou minha amiga de perto de mim.
Não me despedi dela. Não estava em Brasília.
Hoje fui à missa em sua intenção. Revi todos de sua linda família. Saudades!!!
Foi uma missa simples, mas linda, como era minha amiga. Muita, muita música! Palavras lindas em sua homenagem. Ela É merecedora de todas elas. Chorei de saudade! Saudade de nossas conversas, de sua voz, de sua amizade, de sua genialidade, de sua doçura.

– fica em paz, minha doce e querida amiga! Obrigada por tudo. Mesmo que “o tempo e a distância” insistam em nos separar, você estará viva para sempre no meu coração e na minha mente. Siga seu caminho; vá serena, como você sempre foi, e guarde com você, todos os meus segredos!!!

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Uma opinião sobre “Já sinto saudade de você!

  1. Saudades de você, querida Liliana. Suas crônicas, como sempre, lindas, e esta linda também, embora com final triste. Não gosto de filmes com finais tristes, mas é a vida; a vida nem sempre é um mar de rosas, não é mesmo?
    Você escreve maravilhosamente bem e dá prazer ler suas crônicas. Não comento muito por pura preguiça, o que é uma baita sacanagem, eu sei disso. Vou comentar mais… Juro!
    Um beijo do primo!

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