Antes virar água… (Diálogos com a vovó)

(uma parte do diálogo foi com o vovô)

– vovô, eu tive um sonho muuuuito maluco, sabia?

– mesmo? E como foi esse sonho?

– eu sonhei que tinha caído dentro do vaso (sanitário)!!!!

– hã??? Você caiu dentro do vaso? E aí?

– aí, eu virei água…

– nossa! Que sonho maluco, heim?

– é!!! Maluco mesmo!!!

……

– Helena, a vovó escutou você contar pro vovô que você teve um sonho muito maluco! Como foi isso?

– é vovó!!!! Eu sonhei que tinha caído dentro do vaso!

– meu Deus!!!! E aí??? Como você saiu de lá?

– nãããooo!!! Eu não saí não, vovó!

– não???

– a mamãe deu descarga!!!

– mas minha nossa senhora, a sua mãe não te viu lá dentro, não?

– claro que não, vovó! Eu não tinha virado água????

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Yo no creo en las Brujas pero que las hay, las hay!

“O Sagrado Feminino

Chamam de bruxa as mulheres que assumem seu poder pessoal. As que não têm medo de serem livres.
Chamam de bruxa as mulheres que cheiram a ervas e que as cultivam em seus jardins.
Chamam de bruxa mulheres que ensinam brincadeiras às crianças e brincam com elas, mesclando a mestre e a aprendiz.
Chamam de bruxa as mulheres que sonham seus encantamentos, que encontram respostas no vento, que sentem o cheiro da chuva chegando com as nuvens ainda leves de água…
Chamam de bruxa todas as loucas que falam com seus bichos, as que se encantam com pássaros, que se comovem com seus cantos.
Chamam de bruxa, mulheres que trocam um par de sapatos novos por um passeio na praia e uma ida ao shopping, por um banho de cachoeira.
Chamam de bruxa, mulheres que caminham descalças, que secam cabelo com a brisa da manhã, que se entregam ao luar com a mesma intensidade que uma loba uiva, nas noites de lua cheia!
Chamam de bruxa, as que fazem ungüentos, preparam chás, penduram ervas nas janelas, que se sentam na terra e trocam com ela, a sabedoria mensal, imersa em seu sangue sagrado.
Chamam de bruxa todas as que encontram em seu canto sagrado e nas marcas de seu rosto, o mapa de sua sagrada jornada.
Chamam de bruxa aquelas que têm como templo, as estrelas e o firmamento, como sagrado as águas que correm pelos campos, e firmam seus passos no solo que as sustentam.
Chamam de bruxa as que se abençoam por serem: Mulheres benditas, geradoras de vida, cuidadoras por natureza, fênix por natureza, ainda que esmagadas diariamente pela hipocrisia humana.
Chamam de bruxa as que brilham, mas que caminham sob o manto da simplicidade.
Chamam de bruxa as que iluminam, mas que caminham por entre as sombras, levando sua luz aos que necessitam, sem julgamentos, apenas no acolhimento da alma.
Chamam de bruxa as que possuem a coragem de ser quem são, sem medo apenas com o coração repleto de amor e que em seus intentos espalham sementes do bem, pelos corações que se abrem para que elas possam entrar!
Chamam de bruxa, as mulheres repletas do poder de si mesmo, que assustam por serem diferentes, mas que encantam quando compreendidas e respeitadas, pois não precisam ser aceitas. Não precisam da aprovação de ninguém para serem as Mulheres de Poder que são!”

Rose Kareemi Ponce

Meu Pai!

Eu hoje acordei pensando no meu pai e ri muito sozinha. Meu pai era uma figura!!!
Eu vou contar pra vocês uma historinha do papai . Faz tempo que não conto minhas historinhas aqui…

Meu pai era um homem simples, otimista, amante da vida, das flores, dos verdes – mais dos verdes do que das flores, dos animais, de crianças e das coisas belas.
Detestava a velhice. Sempre dizia: “não vejo vantagem nenhuma na velhice”! Eu concordo com meu pai. Bora combinar que vantagem, vantagem, não tem muita não, né? Por conta disso, jamais dizia sua idade. Nunca deixou de pagar passagem de ônibus!!!!
Só pra não ter que mostrar a carteirinha de idoso!!!!

Meu pai era muito corajoso e valente.

Certa vez, descendo de um ônibus, foi assaltado. Partiu pra cima do assaltante e tomou uma bordoada na testa.
Chegou em minha casa com a testa sangrando mas muito orgulhoso de ter enfrentado o larápio.

Passado uns seis meses, papai começou a ficar “meio pirado”. A primeira piração foi quando não conseguiu assinar um cheque. Daí pra frente a piração só foi piorando.
Começou a tremer muito, a perder o equilíbrio e a não dizer coisa com coisa.
Levamos meu pai a um neurologista.
– Como o senhor se chama?
– Jaime Simões Jorge, mas me chamam de Janito.
– Em que cidade o senhor mora?
– Brasília. No Plano Piloto.
– Quem é essa moça que está com o senhor?
– Minha filha.
– Como é o nome dela?
– Liliana
– Como é o nome do presidente do Brasil?
– José Sarney
– Quantos anos o senhor tem?
– José Sarney.
– Não!!!! Quantos anos o senhor tem?
– José Sarney, já respondi!!!!

Sem insistir na pergunta, o médico encerrou as perguntas e pediu logo um exame neurológico, porque percebeu que jamais ele ia obter a resposta desejada.

Meu pai teve que se submeter a uma intervenção cirúrgica, porque a bordoada, resultante da valentia dele, tinha formado um coágulo no cérebro.
– Eita valentia que saiu cara, heim Papai????

Assim era meu pai.
Corajoso, valente, otimista, amante da vida, do verde, dos animais, das crianças, de tudo que é belo. Não gostava da velhice… e preferia dizer que sua idade era José Sarney, a ter que confessar que já tinha passado dos sessenta……

– Pai, no seu dia eu quero te agradecer pelo pai que você foi em vida e continua sendo de onde você está. Aprendi com você a ser corajosa e valente pra “chutar” os pedregulhos que aparecem no meu caminho, seguir adiante, amando tudo que é belo!

Feliz Dia dos Pais, papai!!!!

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“Gente foi feita pra brilhar, não pra morrer de fome” (Caetano Veloso)

Depois de um dia de festa, de alegria, de comemorar os 37 anos de minha filha, acordo e leio esta crônica.

Uma tristeza infinita tomou conta de mim.

E eu me perguntei: será que esse (des)governo que aí está, conhece a fome?

A resposta veio em seguida: não. Não conhece!!!!!

“Joan Edesson: A fome voltou
Conheço bem a fome. Quando criança, brincávamos de esconde-esconde com ela, que não raras vezes nos encontrava. Nunca passou, confesso, de fomezinha, minúscula. Há gradações na fome, na miséria, na pobreza, que as estatísticas nem sempre dão conta. As estatísticas não dão conta das gradações da dor que a fome provoca.
Entre a pobreza da minha infância, nós éramos pobres, apenas pobres, sem adjetivos ou advérbios. Havia, numa escala abaixo, os muito pobres e os miseráveis, aqueles para cuja sobrevivência o nada já era muita coisa.
Não me orgulho disso. Não há motivo algum para se orgulhar da pobreza, da miséria, da fome. Faço o registro porque a fome voltou, e eu a reconheço onde a vejo, eu tenho gravado a fogo na minha memória a sua cara feia, eu tenho tatuado no peito a dor que ela causa, eu sei dela por todos os meus poros, e eu não a esqueço, não consegui, não conseguirei jamais.
Tampouco tenho vergonha disso. Já tive, muita, muita vergonha de ser pobre. É uma perversidade sem tamanho, e em criança me ensinaram que eu era menos que os outros, que os outros eram superiores, e que portanto eu devia me envergonhar da minha condição. Não mais, nunca mais, prometi um dia a mim mesmo. Não me envergonharia mais disso. Tampouco teria orgulho. É um registro apenas, uma condição de certa época da minha vida.
Conheço a fome. A minha, fome pequena, e a de outros, fome enorme, dentes arreganhados, a carantonha a assustar o mais corajoso dos viventes. Naquele ciclo de seca do início da década de 1980, entre 1980 e 1983, foi quando a vi mais de perto. Naquele então ela já não me alcançava mais, mas atingia com força muita gente próxima a mim. Há imagens daquele tempo que estão de tal forma gravadas em minha memória que é como se eu as visse agora, nesse exato momento.
Não esqueço do homem em uma bicicleta com o caixãozinho azul de anjo parado na porta da igreja, colocando aquele minúsculo caixão nos braços e esperando que as portas se abrissem. O padre estava viajando, mas ele só queria que o caixãozinho entrasse na igreja, que alguém murmurasse uma prece, antes que ele amarrasse novamente o pequeno esquife na garupa da bicicleta e fosse, sozinho com sua dor, enterrar o anjinho.
Não posso esquecer os três irmãos, tão pequeninos, mortos num único dia. Os caixõezinhos enfileirados, três anjinhos mortos de fome. A mãe e o pai não choravam mais, não tinham mais pranto. O rosto era uma máscara apenas, indiferença e resignação. Àqueles eu acompanhei até a cova, pois a família, tão desfalcada, não era suficiente para carregar os três até o cemitério. Aqueles me doem até hoje, até hoje me fazem chorar quando sou, como agora, obrigado a esta lembrança.
Naqueles anos eu perdi a conta de quantos anjinhos, em seus caixões azuis, vi desfilar nas minhas retinas. Eu trabalhava ao lado da igreja, numa cidadezinha afogada em seca, fome, morte e desolação, perdida no meio da geografia dos Inhamuns, nos sertões do Ceará.
Há outras imagens, como a do homem que vi, em 1983, batendo com a cabeça no portão de ferro de um armazém de milho. Eu o conhecia, era meu amigo. Como esquecer aquele desespero, aquele homem que de tão faminto acreditava ser possível derrubar um portão de ferro batendo nele com a cabeça? O portão caiu, outras cabeças e outras mãos e outros braços se juntaram a ele, e eu aprendi ali que os castelos podem ser derrubados.
Não posso esquecer do sargento da polícia batendo no velhinho que juntava do chão os grãos de feijão, abandonados pelo saque, um dentre tantos que presenciei, e levando-o preso mesmo ante o protesto, ainda tímido e medroso, de tantos que pediam para não prenderem o homem.
Acreditei que não precisava mais recordar essas coisas. Acreditei que elas dormiam profundamente no fundo de mim. Mas agora essas cenas retornaram. A fome voltou. Já anda livremente pelas ruas, de mãos dadas com a outra anciã perversa, a morte. As duas buscam alimento farto novamente pelos sertões, assolados por quase uma década de seca. Buscam e encontram.
O golpe trouxe de volta a fome. Ela está aí, esmurrando a porta. Eu a conheço, eu a reconheço em qualquer lugar, e mesmo que por ora esteja a salvo, ela já atinge muita gente próxima a mim.”

(Joan Edesson de Oliveira é educador, Mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará.)

Gente foi feita pra brilhar, e ela brilha feito estrela lá no céu, aqui na terra!

 

“… Tem gente que … Ao lado delas, a gente não acha que o amor é possível, a gente tem certeza….”

Hoje é o dia dessa moça bonita que me faz ter a certeza que o amor é possível, porque eu a amo incondicionalmente, há 37 anos e nove meses, e ela sabe disso!

Hoje é o dia dessa moça bonita que me oferece sempre suas mãos e me convida a seguirmos juntas nosso caminhar!

Parabéns minha moça bonita, minha companheira dos bons momentos e dos não tão bons assim, filha maravilhosa, mãe amorosa e dedicada que me faz muito feliz!!!

Obrigada, filha, pelo seu brilho em minha vida!!!!

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Pensando bem… (Diálogos com a vovó)

– Helena, olha só: eu vou falar com a sua mãe que, a partir do final de semana vem, você vem dormir aqui num sábado e no outro vem o Gustavo. Não tá dando certo isso não!

– sério?

– seríííssimo!!!

– tá! Mas por que, vovó?

– por que? Porque vocês dois estão brigando demais!!!! Só vão vir os dois juntos, quando vocês crescerem.

– quando eu tiver cinco?

– é! Só quando você tiver cinco anos! Só no ano que vem!

(olhando pros dedinhos das duas mãos)

– hummmm!!!! Mas eu acho melhor com seis, sabia? Com cinco, o Gugu ainda vai estar muuuito pequeno!!!!

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Nossos sentimentos nunca morrem dentro de nós!!!

Quando eu namorava Wayne, meu marido, e lá se vão mais de quarenta anos, todos os sábados à noite, havia no Iate Clube daqui de Brasília, uma boate.

Ali, na boate do Iate, numa noite dançante, num 6 de abril, eu comecei a namorar com Wayne, sem pedido de namoro, com um beijo, ao som de uma música, que eu nunca me esqueci.

Namoramos durante quatro anos. Neste tempo de namoro, houve um intervalo. Ficamos um tempo separados. Um mês e alguns dias.

Enquanto eu chorava pelos cantos da cidade, Wayne se acabava na farra, inclusive nos embalos de sábado à noite no Iate.

Não sei se ele se cansou da farra ou se sentiu saudade da “baixinha” dele, talvez as duas coisas, e reatamos nosso namoro.

Numa noite de sábado, no Iate, ao som da mesma música. Coincidência….

Assim, eu fiz dessa música, a nossa música.

E toda vez que eu a escuto, eu choro. Mas não é um choro de tristeza. É de emoção. A mesma emoção que eu senti, naquelas duas noites de sábado, na boate do Iate.

Essa música me faz reviver  a paixão própria dos que têm vinte e poucos anos….